É com grande prazer que o CaféCG apresenta a todos vocês, nossa primeira entrevista aqui no blog. E convidamos o ilustrador, concept artist e character design brasileiro, com uma longa carreira e com bastante história pra contar, Marco Furtado. Ele contará  sobre sua trajetória como ilustrador, seu workflow, onde está trabalhando atualmente e muito mais.

A entrevista  ficou muito bacana e inspiradora. Então, dá uma conferida logo abaixo:

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Entrevista com Marco Furtado

CaféCG – Olá Marco, primeiramente queremos agradecer por aceitar o nosso convite e nos conceder a entrevista. Bom, conte-nos sobre você: de onde você é e sua ocupação atual – um pouco de sua trajetória.

Marco Furtado: Obrigado vocês pelo convite. Sou de Santo André-SP, moro atualmente em São Caetano do Sul-SP e trabalho como diretor de arte na TFGco, uma empresa de games mobile em São Paulo. Desenho desde os 4 anos de idade e já fiz diversos cursos ao longo da minha vida, como de desenho artístico, HQ, pintura a óleo, aquarela, modelagem 3D etc… Minha família sempre me apoiou e confiou em mim na minha escolha profissional.

CCG – Quais outros empregos você já teve antes de começar com a ilustração?

MF: Meu primeiro emprego foi como ilustrador em 2002, para livros didáticos. Mas antes disso fiz um bico em uma locadora de filmes, por 20 dias.

CCG – Ao observar sua carreira, poderia citar os três trabalhos mais importantes que lhe proporcionaram um grande salto?

MF: O primeiro e mais importante foi no 6B Estúdio, na época o maior estúdio de ilustração publicitária do país. Aprendi muito lá, foi uma base bem forte para minha carreira. Em segundo foi ter participado do filme Asterix e os Vikings, como intervalador e clean-up, por dois meses – meu desenho melhorou muito. Em terceiro: foi ter entrado na VetorZero, uma grande produtora de filmes publicitários, aprendi ainda mais e fiz bons amigos.

CCG – Como foram seus primeiros contatos com a ilustração? Gostaria de citar algum clássico memorável?

MF: Com ilustração foi no próprio 6B Estúdio. No primeiro dia que eu fui visitar lá, vi o portfólio deles e não acreditei na qualidade absurda que eu vi e decidi ingressar nesta carreira naquele dia. Um clássico foi um rafe “simples” e despretensioso que o Brasílio Matsumoto (dono do 6B) fez de uma moto,com marcadores ou nanquim, e eu jurava que era uma foto.

CCG – Como você se interessou pela ilustração como profissão e como entrou no mercado?

MF: Eu cursava publicidade na faculdade, para ser Diretor de Arte em agências publicitárias. Mas conhecendo bem o mercado vi que eu iria desenhar menos, então um amigo me disse: já que você quer ser ilustrador, dá uma olhada nesse estúdio, o 6B. Fui lá. E meu portfólio era com artes tradicionais e poucas coisas digitais, ruim e muito desorganizado em um site velho que não funcionou no dia. Eles não me aceitaram, mas falaram para eu fazer novos trabalhos, sendo eles de pintura digital e também alguns em 3D, se possível e subir tudo em um novo site que funcionasse. Em duas semanas eu tinha tudo pronto e voltei lá. Falaram para mim que eu fui o primeiro quem fez o que eles pediram e por estar determinado, eles me contrataram.

CCG – Como é um dia típico de trabalho para você?

MF: Hoje em dia trabalho como diretor de arte para games mobile, não há um dia típico. Mas para generalizar: participo de reuniões sobre os games em desenvolvimento, reuniões sobre o departamento de arte em si e parte desse dia eu faço: concepts de personagens, cenários, menus etc… São dias bem cheios, ‘rs

CCG – Qual a melhor parte do seu trabalho? Por quê?

MF: A criação sempre foi a melhor parte, tanto para trabalhos pessoais, quanto para publicidade e agora games.

CCG – Quais ferramentas você usa diariamente?

MF: Basicamente, uso Photoshop para 2D e Modo para 3D.

CCG – Gostaria de descrever alguma situação inusitada pela qual já passou durante sua carreira?

MF: Creio que agora, trabalhando com games, foi algo que eu não imaginava fazer tão cedo. E me surpreendi , estou gostando muito. Ter trabalhado no Asterix e os Vikings, foi bem inusitado também.

CCG – Como funciona o seu workflow? Você varia de acordo com o trabalho que for fazer ou sempre segue a mesma ideia pra todas as suas artes?

MF: Para meus trabalhos pessoais, eu sempre penso assim: vou fazer o que eu gosto, o que eu quero, mas sempre tentando aprender alguma técnica nova ou um jeito diferente de fazer. Então meu processo varia bastante mesmo, posso começar com manchas PB (preto e branco) sem traços e depois faço as cores. Ou começo pelos traços e depois já vou colorindo. Ou já vou nas cores mesmo, mas sempre indo do macro para o micro gradualmente.

CCG – E quanto ao processo criativo? A gente sabe que nem sempre estamos com a criatividade aflorada e há momentos em que acontece o famoso bloqueio criativo. Como você faz para burlar esse bloqueio e voltar a criar?

MF: Eu passei por isso bem forte há uns 5 anos atrás, mas depois nunca mais e só sarou de tanto produzir. Achei uma maneira divertida de buscar o desenho quando não estou pensando em nada, eu simplesmente vou traçando e improvisando e sai algo interessante. Uma dica boa é pegar temas em fóruns do Facebook, como: 4ForFAN, Daily Spitpaint etc… E sempre fazer para si mesmo, sem se preocupar com os outros.

CCG – Algum projeto paralelo ou novo projeto que você gostaria de compartilhar detalhes?

MF:  Eu estava participando de um curta de animação com um amigo meu, o Ivan Oviedo, para servir de portfólio para podermos entrar em grandes produtoras, mas antes de terminar ele foi contratado como animador na Walt Disney Animation Studios. Aí o projeto parou, pelo menos foi por um bom motivo ‘rs

Leia Também: Artista da Semana: Ivan Oviedo

CCG – Você tem algum talento não-usual, como assobiar com o nariz ou parkour?

MF:  Tudo o que eu faço, de resto eu não faço muito bem, mas gosto de tocar sax e gaita. E estou sendo muito sincero, eu realmente não toco bem!!

CCG – Marco, o que te inspira – filmes, músicas, livros etc?

MF: O que mais me inspira são portfólios de grandes artistas da atualidade, games e animação. Gosto de ficar passeando por blogs, tumblrs, instagrams, jogando tudo quanto é tipo de jogo, vendo lives de artistas, como: Sergey Kolezov, Zedig Diboine, JunGi Kim etc…

CCG – Há algum conselho que você queira dar à uma pessoa pensando em entrar na área ou alguma mensagem para nossos leitores?

MF:  Crie mais. Acho que isso resume muitas coisas que eu gostaria de falar. E se você realmente ama o que você faz, faça muito, quanto mais você desenhar ou pintar, mais você melhora, não tem segredo.

CCG – Marco, muito obrigado por nos ceder essa entrevista!

MF: Foi um prazer participar dessa entrevista! Espero ter ajudado e contem comigo para o que precisar! Um grande abraço!

Você pode acompanhar e conhecer mais trabalhos do Marco em sua página no Facebook, Behance, BlogArtista da Semana e olha só que bacana, você pode assistir ao processo de criação em seu canal do Youtube 🙂

E você, tem alguma dúvida ou gostaria de perguntar algo para o Marco? Deixe o seu comentário logo abaixo!

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Sobre o Autor

Fundador & Editor Chefe

Fundador do projeto CaféCG. É Animador 3D, fanático por leitura, gosta de escrever e criar histórias, assistir filmes e séries e, sem dúvida nenhuma, fazer animação!

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